quarta-feira, abril 11, 2007

carta


oi esther,
sempre ligada estou aqui, com o newton no coração levando essa dúvida de porques sem respostas aqui dentro de mim.
o tempo voa e 6 anos se passaram daquele telefonema que fez minha visão escurecer em pleno trânsito de são paulo anunciando tão triste notícia.
lucas esta com 6 anos e nunca me esqueço do newton falando dele, que queria conhecê-lo,... deus, parece que foi ontem!
sei que sumi e não mandei as fotos que tenho dele... mas achei um desenho que fiz quando passamos nosso primeiro final de semana juntos aí na casa de seus pais. ele dormia quando o captei com meus traços rápidos do lápis no papel antes que ele acordasse. mal sabia eu que ele era bem dorminhoco. quero te mandar esse desenho tb, mas preciso escanea-lo...e estou de mudança com a vida de pés pra cima, buscando minha autonomia nessa cidade suja e cara, ufff!
não ficarei me queixando, temos muita coisa que viver e outras tantas para trocar.
de uma maneira ou outra, newton nos uniu e cá estamos trocando figurinhas, de nossas vidas, e de quem nos deixou tão cedo.
justa ou não essa partida prematura fico feliz, todos os dias, de ter a lembrança dele em minha vida.
um grande beijo pra ti, teu brother, pro teu pai, e pra maria paulistana, que me acolheu tão calorosamente em sua casa.
essas são minhas palavras para você e para todos ai.
de alguém que também tem o newton no coração.
carinho
lara

terça-feira, janeiro 09, 2007


O relógio anunciava a hora avancada: 1h30 da manha quando meu celular tocou. Achei que fosse algum amigo brincalhão, visto que eu acabara de receber um telefonema do genero.
Antes de atender verifiquei o numero: era meu irmão.
Atendi apreensiva pensando no motivo do telefonema aquela hora da madrugada. Ao dizer 'alô'meio desconfiada, desconfiado estava meu irmao do outro lado da linha. Ele falava normalmente, pausadamente, me perguntando onde eu estava e se estava tudo bem. Achei tudo muito estranho, pois aquele tipo de conversa voce tem de dia, não de madrugada. Fiquei aflita, não aguentei e perguntei o que tinha acontecido e com quem.
Ele tentou de maneira mais calma me contar que estava acontecendo algo sim, e comigo.
Parecia haver um grande zum zum zum de vozes por trás de sua voz receosa.
Entao ele fez um pedido estranho: que ligasse em seu celular para que ele se certificasse de que estava tudo bem. Sem entender muita coisa, obedeci. Depois com mais tranquilidade, explicou que haviam ligado para minha mãe dizendo que estavam comigo na favela ameaçando de morte uma hipotética filha de família raptada naquela mesma noite.
Até agora nao entendi muita coisa devido ao nervosismo de minha mãe, coitada –achando que sua única filha estava nas mãos de seqüestradores do PCC, daqueles que ligam a cobrar em sua casa, quebrando a traquilidade familiar atrás de dinheiro usando de mentiras.
Muito me assustei ao ouvir da boca de minha genitora que eles sabiam tudo de mim. Como? Me senti vigiada, invadida, exposta, desprotegida e o sentimento da raiva invadiu meus instintos: droga de cidade!
Na verdade são sábios malandros que se aproveitam do nervosismo de mães aflitas que vão soltando informações sobre filhos supostamente sequestrados, dando o alimento necessário para assustá-las ainda mais.
Soube que foram 15 minutos de negociãções até acordarem meu irmão que teve o espirito de ligar em meu celular para verificar a veracidade de tudo aquilo, visto que eles matinham meu pai no telefone fixo e minha mãe no celular a fim de evitar que ele entrassem em contato comigo.
E por mais que meu irmão agora ouvisse minha voz, mesmo assim quis se certificar pedindo que eu ligasse de volta confirmando meu bem estar. Pronto, confirmada minha presença em casa, telefones foram desligados e retirados do gancho.
Percebi que de nada adianta [um pouco talvez] saber desse trotes horrorosos pela internet, do que acreditamos nunca acontecer com nossa família.
Estou relatando justamente o que aconteceu comigo nesta madrugada, o que aconteceu desta vez com a minha família.
Este pequeno pesadelo invadiu a tranqüilidade de um simples lar paulistano de maneira arrebatadora, invasiva, sem pedir licença alguma. Deixou a todos apreensivos, nervosos com a violência que, a cada dia nos invade, e estamos a mercê disso.
E penso: porque atender a uma chamada a cobrar achando ser um filho ou um irmão em apuros que pode, de fato, estar precisando de ajuda? Não, a ordem e mudar os números de telefone, pois no desespero de imaginar um ente querido em perigo faz qualquer coisa, menos lembrar dos avisos daqueles emails com histórias de outras pessoas que passaram pela mesma situação.
Meu irmão antes de desligar comentou: que bom que não passou de um trote, todos tem uma história para contar, agora nós temos a nossa. Triste estatística.
Você pode estar em casa e um telefonema a cobrar mudar tudo o que esta acontecendo, e não passar de uma mentira, assim esperamos, que não passe de um susto. Mas qual o custo do susto? Ficarmos mais desconfiados? Olhar mais a rua quando chegamos e saímos de casa? Mais que o usual? Telefonar de 5 em 5 minutos para seus familiares para dizer que esta tudo bem?
Pode acontecer com você, com teu amigo, com teu vizinho.
Hoje aconteceu comigo e fico aqui tentando lidar com esse sentimento de impotência e percebo que somos reféns dessa violência descabida.
Como faço para dormir esta noite?

sábado, outubro 28, 2006


pensar na vida, pensar no que fazer, pensar com quem fazer, pensar que toda segurança é insegura.
o saber des-sabido [sic] descabido nos dá medo.
hoje li uma frase que me fez pensar:
o único sentimento real dentro de nós é a alegria --os outros são frutos de nossa mente.
é isso aí, porque não cultivar a alegria que temos ao invés de encontrar os outros sentimentos que não temos dentro de nós mesmos, mas criamos?

de dois em dois

pozzolli rabiscando

ele, de boné caqui e camiseta impecavelmente branca.
ela, com seu casaquinho azul sobre os ombros e tiara nos cabelos anoitecidos pela idade.

a ternura exala por seus corpos cansados . da vida.
o sol bate fraco mas o clima é quente, seus corpos frios se movimentam, trocam o calor pelas mãos dadas ao atravessar a rua.
agora os vejo sentados perto da porta do metro , o que será que eles esperam tão pacientemente?

ele, com as mãos entrelaçadas apoiadas nos joelhos.
ela, as mãos cruzadas sob as pernas.
seria a convivência que os fez tão parecidos em seus gestos?

alguém passa e os cumprimenta.

a espera continua.

até quando?

pozzolli criando

de tudo nada sei

.

Esta noite quando tentei descansar a cabeça nessa segunda feira molhada, percebi que meu coração se partiu ao meio e minha mente, num turbilhão, misturou lugares e pessoas quase não cabendo tudo em mim.
Fiquei inquieta por mais que Tchaikovsky tentasse acalmar meus ânimos, a perspectiva de criar raízes --por mais assutador que pareça, traz consigo a vontade de desatar o laço do doce desconhecido.
O vivido parecido, a conquista do conquistado.
Por um instante os meses vividos no Ceará me pareceram uma vaga e saborosa lembrança --seria eu capaz de não voltar?
Estou aqui com o próximo destino marcado: Bolívia, que me traz sim o verdadeiro sentido das raízes, longínquas, amorosas, fortes, com pessoas importantes e queridas.

Como que me me despedindo dessas paredes, o desejo de olhar para as minhas próprias aumenta, aumentando assim a vontade do amanhã.
Meu canto, nosso canto.
Tão perto, tão sonoro.
E o friozinho na barriga perdurará até tudo se concretizar.

[Acordei e minha alma e meu corpo estavam triturados--eu pesava 5 toneladas, seria o peso da consciencia literalmente?]

segunda-feira, setembro 25, 2006

flores em você

a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida
vinicius

estou feliz de estar aqui e dos encontros que tenho tido.

por enquanto está bom, mas tende a melhorar...


flowers by Thomaz Rezende

sábado, agosto 12, 2006

ir e vir


voltar temporariamente[?] pra essa vida que nao tens tempo pra nada e tens que contar o tempo pra tudo

sábado, julho 29, 2006

contabilidade 4

me rendi a remedios e to melhorando, tudo está cicatrizando mas estou baqueada com os efeitos dessa forte medicina alopata...

contabilidade 3 na ultima semana de julho

pés= um corte na 2a falange do 3o dedo (pus!)
+retirada de um espinho ou bicho do pé(??) no último dedo (pus e dor!)
pernas= esquerda: foco inflamado perto do tornozelo
+direita: perebas se multiplicaram em 8 focos sem melhoras
mãos=infecção do dedão melhorou e do seu vizinho está melhorando

contabilidade 2

17 machucados abaixo do joelho( a maioria no joelho) do Lucas
5 perebas muxibentas bixadas na minha perna direita

contabilidade 1

um mês e onze dias: 7 quilos a menos
Lucas 1 quilo a mais...

segunda-feira, julho 17, 2006

pés no chão

As marcas da noite dura, mal dormida, gemendo no corpo cansado.
Com os olhos ainda marcados de sono, escutar os tilindar dos grilos noturnos causa o adiamento do despertar- o corpo pede descanso.
o dia finalmente amanhece e com ele a inadiável tarefa do caminhar.
Amanhecer, espreguiçar, cheiro de café, saltar da cama, ruído, gente, cachorro e sobre nossas cabeças, o céu estupidamente azul desafiando a dificil tarefa.
Tudo preparado: proteção contra o rei-sol, na mochila somente o necessário, hidratação para o corpo e coragem para a alma.
Os primeiros passos silenciosos dão início a longa caminhada sofrida na mente, mas pouco sentida nos músculos. A sombra dos grandes cajueiros ameniza os passos na areia fofa até o mata-burro.
Casas dos nativos começam a pipocar ao longo do caminho distraindo a vista enquanto o sol abraça o corpo decidido.
Ultima curva de areia branca, últimas casas. Muito ja foi caminhado. As chances de conseguir um último copo de água para o corpo em marcha estão findando, mas o ritmo não diminui e a possibilidade de alguma parada é descartada.
Depois de um pequeno cruzamento, sinais de veículos motorizados na estrada de areia ofuscante: uma moto típica na região e um automóvel de passeio trazendo consigo a estranheza por se diferenciar dos carros propícios ao chão difícil.
Sigo em silêncio, a frente a estrada de terra batida deixa a areia fofa para trás, enchendo os olhos com a paisagem bucólica a perder de vista.
Sigo em companhia de mim mesma.
Meus pés são meu transporte.
Minha mente minha asas.
Olho para a estrada e abandono as sandálias, sinto o sol, sinto a terra, sinto o chão. Os pedregulhos machucam as solas calejadas, mas logo se tornam brincadeira de sensações táteis.
Sem vento, escuto minha respiração e deixo o sol me abraçar cada vez mais forte. Olho novamente para os meus pés e vejo um caminhar seguro pelo chão vermelho e seco. Levanto os olhos e o verde abraça as vacas que ruminam ignorantes de minha presença.
Quebro o silêncio ao cumprimentar o menino que atravessa a estrada sem tirar os olhos dessa curiosa figura que caminha estrada afora. Apenas os dois: ele na lida com a res, e ela rumando para o horizonte. Uma troca de olhares, uma palavra amiga e nunca saberei seu nome nem do que gosta. Um breve cumprimento que quebra o silêncio cansado do caminhar obstinado.
Sigo dentro de mim e vejo muito espaço, dentro e fora.
O balançar dos braços se torna anestesiado pelas incontáveis vezes que o movimento se repete. Já nem ligo para as gotas de suor que insistem em cair. O caminhar se torna gentil e a mente flutua por entre os contundentes raios de sol. Nao sinto mais a dor da ferida na perna que custa a sarar.
Pouco a pouco o ar muda de cor e avisto o primeiro telhado. Reconheço a primeira casa e custo a acreditar que quilometros foram cobertos e não foram sentidos.
Não vejo alma viva até ganhar a pequena vila onde aos poucos encontro movimento.
Caminho icognita mas nao passo desapercebida.
Observo meninas que saem de uma porta de madeira pintada da estrada e reconheço um rosto. Quebro o silêncio com palavras de proximidade.
Me devolvem sorrisos e passos apressados.
Concentro-me na casa conhecida. Passo o portão e chamo, ninguém aparece.
Um rosto aponta na janela. Com o reconhecimento, um sorriso.
Acolhida em uma velha cadeira a beira do fogão à lenha, tomo café com crianças festivas a minha volta.
Escuto histórias contadas na difícil linguagem local, quase incompreensível a ouvidos desacostumados.
Paradoxalmente me sinto em casa e ao mesmo tempo sinto-me à parte desse mundo rústico.
Meus olhos giram embriagados com o que veem: crianças correndo, cacimba cheia, o causo da filha que quase morreu, a horta, o banheiro longe da casa, as redes penduradas, a criança que come sardinha na brasa de café da manhã, a mãe que me sorri oferecendo mais uma xícara de café.

Essa linda troca humana.

Até eu me levantar e começar a próxima caminhada.

terça-feira, julho 11, 2006

fortal de saias

pernas curtas, pernas longas
pele clara, pele escura
pernas grossa, pernas finas
jovens, senhoras
magras, gordas...
nao importa,
as saias em fortal sempre tem o comprimento MINIMO maximo permitido...

quinta-feira, julho 06, 2006

COBRA

Voltando de Caiçara, nessa linda manhã fomos a praia Malhada aqui em Jeri.
Tinha umas crianças por ali, e qdo nos aproximamos de um grupo curioso, nao é que todos olhavam uma agonizante cobra tentando voltar pro mato?
Sim, ela havia saido do mar, e estava tentando voltar pra casa dela.
Um turista corajoso a pegou e levou até o mato, longe da praia.
Fiquei curiosa em conhecer mais as cobras...principalmente aquelas que curtem um banho de mar no meio da semana...

Meninos e lobos

Lucas está se demosntrando um menino muito safo no sentido de brincar com todas as crianças que ele conheceu em Caiçara, nas duas casas onde estivemos hospedados, meninos simples, da roça, que com sua simplicidade cativaram esse menino de cidade.
Brincou
Divertiu-se
Emprestou seus brinquedos
Brincou com os alheios
Fez coisa errada com a amiga
Soube pedir desculpas
Brincou demais
Sonhou
Dormiu profundamente
Dia seguinte
Conheceu mais amigos locais
Dessa vez quase da mesma idade
E...Brincou
Divertiu-se
Emprestou seus brinquedos

Brigou com o amigo novo
Soube defender-se e
Soube fazer as pazes
e divertir-se o resto do dia.

Dormiu e comeu MUITO

ufa
zzzzzzz

Caiçara

Fugimos do agito de Jericoacoara e fomos conhecer o interior muito lindo: Caiçara.
As pessoas, o lugar, o clima, a lagoa, tudo tudo tudo muito lindo!
Que paz podemos encontrar em tanta simplicidade.
Acordar as 5 da manhã, pegar a condução chacoalhante durante quase uma hora onde a cada dez minutos entrava mais 2,3 pessoas, até não caber mais e assim chegar na proxima parada e entrar mais uma familia inteira!!! Descer no "centro" de Caiçara, caminhar em direção a lagoa de Jijoca, atravessá-la com Lucas nos braços com a agua nas coxas, caminhar nas picadas e contar sobre as veredas da vida pro pequeno curioso, caminhar pelas estradas de areia até encontrar o portão do sitio que nos acolheria nos proximos dias.
Que natureza, mas que beleza...

Ar
Respirar
Transformar
Dialogar
Trafegar
Encontrar
Viver
Sentir
Ir

SER